Seria tão fácil te entender
Começaria aos pouquinhos
Através de sorrisos escondidos
Lábios mordidos
E doces fios de aromas em teu véu
E foi fácil no começo
Eu escutei, chorei em segredo
Guardei algumas palavras
Outras inventei na hora
Mesmo assim comecei a entender
Nos teus olhos vi a súplica
De amar, ser aceita e aceitar amar
Cintilavam lascívia e desejo
Queimou-me bem fundo
Bem no meio levemente esquerdo
E me consumiu
Formou-se brasa
Sufocando-me em meio a cortina cinza
Fazendo meus olhos arderem humidos
Minha garganta gritar em pausa
E como inflamou-se celeramente
Acobertou-se em meio a foligem
O que eu tinha entendido
E o que mais vim a entender.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Não sei se o que sinto é saudade
Na verdade nem sei explicar o que é
É falta, é vazio, é nada
É tudo isso misturado e mais um pouco.
Pode ser devaneio, pode ser sanidade
Mas ainda não sei se é saudade
Isso porque não lembro mais de seu sorriso
Ou talvez eu não consiga esquece-lo.
Não sei porque isso vem acontecendo
O tempo passou da conta
Mas sua voz ainda ecoa em minha cabeça
E dói, muito.
Poderia ser diferente, claro
Mas se fosse não estaria nesse sufoco
Vontade de gritar seu nome
De te amar, com lábios grudados e mãos suadas
Ainda não sei se é saudade
Queria que fosse
Mas não posso querer tudo de uma vez
E não me contento com que sinto.
Na verdade nem sei explicar o que é
É falta, é vazio, é nada
É tudo isso misturado e mais um pouco.
Pode ser devaneio, pode ser sanidade
Mas ainda não sei se é saudade
Isso porque não lembro mais de seu sorriso
Ou talvez eu não consiga esquece-lo.
Não sei porque isso vem acontecendo
O tempo passou da conta
Mas sua voz ainda ecoa em minha cabeça
E dói, muito.
Poderia ser diferente, claro
Mas se fosse não estaria nesse sufoco
Vontade de gritar seu nome
De te amar, com lábios grudados e mãos suadas
Ainda não sei se é saudade
Queria que fosse
Mas não posso querer tudo de uma vez
E não me contento com que sinto.
domingo, 4 de julho de 2010
Folha
A vida em uma folha?
Quando cai de seu salão
Ela baila em um ritmo entrópico
Vivaldeando no éter
Até seu derradeiro pousar
Estática na relva
Essa folha é única
Em seu quebra-nozes mortal
Aclamada pelas outras bailarinas
Já desfeitas em seu Bolshoi arbóreo.
Quando cai de seu salão
Ela baila em um ritmo entrópico
Vivaldeando no éter
Até seu derradeiro pousar
Estática na relva
Essa folha é única
Em seu quebra-nozes mortal
Aclamada pelas outras bailarinas
Já desfeitas em seu Bolshoi arbóreo.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lágrima
Desce uma lágrima sobre minha face
Escorrendo tal qual véu em núpcias
Lava a cada centímetro uma vergonha
Uma dor ou um sorriso
E continua descendo
Talvez brote mais outra
Ali no cantinho, tímida
Sem perceber cessa a primeira
Traçando um arco nessa planície rosada
Corada de desejo e agonia
Escorrendo tal qual véu em núpcias
Lava a cada centímetro uma vergonha
Uma dor ou um sorriso
E continua descendo
Talvez brote mais outra
Ali no cantinho, tímida
Sem perceber cessa a primeira
Traçando um arco nessa planície rosada
Corada de desejo e agonia
domingo, 13 de setembro de 2009
A essa altura, o que mais pode acontecer?
É tudo pequeno, espaçoso, grande
Vai e vem, leva aquilo que vos prende
É como entender que cada porção
Faz parte de um todo muito menor
Não havendo reação, chega a desatar
Abrandar o vazio que sente
Ficando meio estático, sereno
Aquela tempestuosa sensação de tranquilidade
Donde descobre-se o turbilhão
Chegando bem devagar, abrindo em sua volta
É tudo pequeno, espaçoso, grande
Vai e vem, leva aquilo que vos prende
É como entender que cada porção
Faz parte de um todo muito menor
Não havendo reação, chega a desatar
Abrandar o vazio que sente
Ficando meio estático, sereno
Aquela tempestuosa sensação de tranquilidade
Donde descobre-se o turbilhão
Chegando bem devagar, abrindo em sua volta
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Preste atenção, respire bem fundo
Fuuu... Fuuu...
Inspire devagar
Ahh... Ahh...
Não tem como abrandar isso
É estranho, lascivo, doentio
Parte dor, parte alívio
Turbilha no meio um bocado de coisas
Talvez se fossemos mais intímos
Mais distantes, deixassemos de lado as diferenças
Eram tantas que dava pra enumerar em cetim
Contas de um colar emaranho em volta de nós
Prendendo e relaxando
Orgulho não se rende
Mais sinto orgulho de ser assim
Se fosse diferente, talvez fosse tão parecido como os outros
Mas deixe para lá, um dia quem sabe
Até lá, rodo e vôo
Enfim, gosto disso.
Fuuu... Fuuu...
Inspire devagar
Ahh... Ahh...
Não tem como abrandar isso
É estranho, lascivo, doentio
Parte dor, parte alívio
Turbilha no meio um bocado de coisas
Talvez se fossemos mais intímos
Mais distantes, deixassemos de lado as diferenças
Eram tantas que dava pra enumerar em cetim
Contas de um colar emaranho em volta de nós
Prendendo e relaxando
Orgulho não se rende
Mais sinto orgulho de ser assim
Se fosse diferente, talvez fosse tão parecido como os outros
Mas deixe para lá, um dia quem sabe
Até lá, rodo e vôo
Enfim, gosto disso.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Pinheiro
Foi quando eu parei, não via mais nada.
Tive que interromper, não era mais eu.
O sangue escorria pelas minhas mãos.
Descia bem lentamente, vicosamente na lâmina.
Debaixo de meus pés, um lamaçal rubro.
Uma orelha, um dedo.
Se percorresse os olhos pelo campo, cabeças e membros.
Troncos de ambos os tipos, ali deitavam.
Eu era morte.
Foi então que parei. Ainda havia outros.
E eles não paravam.
Triste é o fim, um doce alívio.
Mas não queria encerrar.
Entenda, eu tive que parar.
Ao lado de setenta.
Exausto, fui caminhando.
Começou uma fina chuva, cansativa.
Não lavava nada. Chorava de fato.
Eu tive que parar.
Mas não pude.
Tive que interromper, não era mais eu.
O sangue escorria pelas minhas mãos.
Descia bem lentamente, vicosamente na lâmina.
Debaixo de meus pés, um lamaçal rubro.
Uma orelha, um dedo.
Se percorresse os olhos pelo campo, cabeças e membros.
Troncos de ambos os tipos, ali deitavam.
Eu era morte.
Foi então que parei. Ainda havia outros.
E eles não paravam.
Triste é o fim, um doce alívio.
Mas não queria encerrar.
Entenda, eu tive que parar.
Ao lado de setenta.
Exausto, fui caminhando.
Começou uma fina chuva, cansativa.
Não lavava nada. Chorava de fato.
Eu tive que parar.
Mas não pude.
Assinar:
Postagens (Atom)